1.4.14

Preguiça

 


Se este informação for válida para alguém, eu nunca namorei. Nunca deu certo, talvez eu tenha acreditado que tenha dado, mas obviamente não era o que a outra parte pensava, nunca era. Acho que lá pelos 12, eu descobri em mim uma vontade  de me apaixonar de maneira insana e me entregar sem pensar nem mesmo um segundo, afinal, o que há de melhor no amor senão a entrega totalmente cega? Pois é, eu me entreguei inúmeras vezes e de repente percebi que me entregava demais e no fim, nunca voltava inteira. 

  Ainda sim, eu condicionava a parte que restava de mim, a acreditar, e seguia confiante de que amor cura tudo.  Mas um dia, todos os meus pedaços haviam sido dados e não restou mais nada. Foram anos até eu juntar tudo novamente, mas sabe o que dizem, sempre é possível ver a rachadura. 

   Eu não estou inteira, não mais, e embora pareça que sim, se olhar bem de perto, verá que existem muitas falhas. No começo foi apenas o medo. Loucura eu sei, mas durante muito tempo o medo me impediu de tentar e de acreditar cegamente. Era como beijar de olhos abertos ou esperar sempre por uma
má noticia. 

  Então eu me cansei de bancar a pessimista, mas ainda não queria acreditar, ainda não quero. Mas não é mais medo, é só preguiça. Às vezes me pego pensando: “De que adianta? Vai acabar mesmo”.

  Todo mundo sabe que o importante é competir, mas ninguém entra num jogo acreditando que irá perder. Não faz sentindo. Então pelo menos por enquanto, eu ficarei na arquibancada. Talvez eu aprenda que não é preciso se doar tanto, e ai estarei pronta pra jogar.